Ocupar os espaços públicos através da cultura é uma das diversas formas de amar e cuidar da comunidade onde vivemos. Prova disso é o Circo Tá Na Rua – projeto que nasceu em 2013 e até hoje movimenta as noites de segunda-feira da Praça Nauro Machado, no Centro Histórico de São Luís, levando a arte circense aos ludovicenses de forma acessível.

Malabares de todos os tipos, tapetes coloridos e boa música armam o cenário para praticantes de todos os níveis. O projeto é aberto ao público, gratuito, e abrange até quem nunca teve contato com a expressão artística. “A proposta é criar um espaço de troca, multiplicação e divisão da arte do circo aberto e gratuito pra todos”, comenta o Donny dos Santos, idealizador e mestrando em Cultura e Sociedade pela UFMA.

O projeto, que completou seis anos em julho, é um desdobramento de outra ação em conjunto com mais professores: o Núcleo de Formação Artística, que funcionava em uma escola. “Eu e mais outros professores oferecemos bolsas pra 20 jovens de baixa renda, pra receber aulas de artes, circo, teatro, dança… Eu decidi levar uma parte do treino pras praças, pras pessoas conhecerem”, explica Donny. Ao final de 2013, a escola acabou fechando, mas o projeto seguiu. “Já estava dando certo, tendo adesão de várias pessoas. Decidimos manter o circo na Nauro”, conta.

circo ta na rua sao luis centro historico
(Foto: Leonardo Mendonça)

Os integrantes se reúnem das 18h30 até às 21h, a depender do movimento da praça. Em época de chuva, no entanto, os encontros acontecem em menor número, já que o Circo Tá na Rua é realizado ao ar livre. O grupo participa, ainda, do calendário cultural da cidade e espaços ligados a instituições como o Sesc, Governo e Prefeitura, além de eventos privados, para angariar fundos.

Pro Donny, quem deseja movimentar os espaços públicos e praticar #Generocidade deve prezar pela horizontalidade das relações, começar aos poucos e deixar que as coisas evoluam gradativamente. “As ações que são coletivas, que dependem de outras pessoas, a gente tem que ter um jogo de cintura grande […] O Circo tenta primar por isso, se relacionar bem com quem frequentam a praça, dos moradores de rua até a Polícia Militar, os vendedores, estabelecimentos e outros projetos”, pontua. 

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(Foto: Leonardo Mendonça)

Além destas dicas, Donny aponta que, apesar de o poder público ser responsável por garantir cultura e lazer à população, é necessária iniciativa da classe artística. “Não é interessante depender só disso [da iniciativa pública], mas de outras estratégias de captação de recursos, manutenção e fomento não só financeiro, mas de público, que é um dos principais apoiadores das ações”, finaliza.

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